Vinícola de Cerveja?

Recentemente, postei no Twitter uma notícia um tanto intrigante. Uma vinícola catarinense anunciou o lançamento de uma cerveja! Isso mesmo, uma cerveja!

De cara a notícia levanta inúmeras indagações. Onde está sendo produzida? Qual tamanho da produção? Qual foi o critério para a escolha do estilo (a saber, o estilo escolhido foi o germanico Alt)?

 

Pensando mais a frente, o mais importante é saber os motivos desta empreitada. Porque uma vinícola boutique está se aventurando no mundo das cervejas? Como a comunidade do vinho recebeu esta notícia? Aliás, como percebem o crescimento do movimento cervejeiro?

O consumidor de vinho, assim como o de cerveja, gosta de experimentar bebidas de qualidade, e quando, finalmente, a oferta de cerveja aumenta a ponto de termos facil acesso a otimas cervejas, começa a prestar atenção e a se surpreender com os aromas e sabores de alguns rótulos de cerveja.

De qualquer maneira, me parece que o mundo do vinho vem se rendendo a riqueza da cerveja. Outra evidencia desta aproximação são os cursos de cerveja voltados para enófilos. A ABS-RJ oferece um curso neste sentido. E porque não citar também, os cursos de sommelier de cerveja chancelados pela ABS e ASI?

Sem querer (des)valorizar um ou outro, mas é mais que evidente que a cerveja não goza do mesmo prestígio que o vinho, pelo menos aos olhos do consumidor comum, apesar de ter uma história tão farta quanto e de ter tantas ou mais qualidades que os vinhos.

Por isso mesmo, é que a aproximação é uma boa nova. O mundo cervejeito tem muito a aproveitar do mundo do vinho, especialmente no vocabulário, técnicas de degustação, organização e práticas de mercado. A cultura do vinho está consolidada há muito no Brasil e no mundo, e aprender quais passos foram dados neste caminho (tendo a oportunidade de evitar os erros cometidos por eles), pode ser um bom indicativo para a consolidação da cerveja.

Até para aqueles que adoram elitizar a cerveja (um erro, pra mim), essa aproximação é benéfica. Afinal ter o know-how daqueles que transformaram a bebida de produção mais simples que a cerveja, em um sinal de requinte e sofisticação, não tem preço!

Agora é esperar e ver, sem preconceitos, o resultado dessa parceria entre a uva e a cevada. Só temos a ganhar e amadurecer. Eu aprovo!

Não provei a cerveja, mas a vinícola Villagio Grando e o cervejeiro Gustavo Fezer, responsavel pela produção, já estão de parabéns pelo projeto.